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segunda-feira, 19 de março de 2012

Canil Modelo

Canil Modelo

Quando se vai construir qualquer coisa a gente deve começar sempre por fazer uma relação dos itens a serem incorporados ao projeto.

Partindo da premissa etológica buscamos, dentro do possível, proporcionar ao cão uma vida o mais próxima possível da vida natural que ele teria em seu habitat.

Canil.jpg (20028 bytes)O cão, como descendente direto do lobo, é um animal toqueiro, vive em tocas, assim, o canil ideal seria um buraco no qual somente ele caberia dentro.

Como o cão é "domesticado" ou seja, obrigado a conviver em ambiente doméstico, ele terá que ser manejado de acordo com a nossa conveniência, uma vez que seremos nós os responsáveis pela manutenção da limpeza e do trato desse animal.

  1. Área mínima necessária para abrigar um cão ou um casal.
  2. para cães de grande porte (dogue alemão)
    para cães de médio porte (bóxer)
    para cães de pequeno porte (poodle toy)
  3. Cômodos necessários:
    área coberta (abrigo),
    área de solário,
    cozinha e dependências,
    passeador.
  4. O sol como o mais importante medicamento para a saúde e prevenção de doenças
    a posição para melhor incidência de sol
    a utilização da radiação solar como esterilizador ambiental.
  5. Móveis e utensílios cama, sistema hidráulico com bebedouro automático, e sistema sanitário e de limpeza.
  6. Proteção térmica contra o frio e o calor. Ventilação.
  7. Praticidade - para um canil tranquilo e silencioso
  8. Manejo (limpeza - produtos e freqüência, etc..)
  9. Conjunto administrativo:
    escritório de gerenciamento do canil,
    despensa,
  10. Sala de banho, tosa e cuidados veterinários,
  11. . Maternidade,
  12. . Sala de isolamento ou quarentena.
  13. . Piscina.

Planta BAIXA do Canil.gif (41276 bytes)

1. Área mínima necessária para abrigar um cão ou um casal.

Como já vimos, os cães não necessitam de muito espaço para se abrigar. Quanto menor, isto é, mais próximo do tamanho dele, tanto mais feliz ele será. É por isso que as "casinhas de cachorro" fazem tanto sucesso entre os caninos. Entretanto, como nós precisamos entrar para o serviço de limpeza, a altura mínima da porta deverá ser de dois metros.
Quando comecei, fiz um canil com uma porta de 80 cm de altura achando que para o cão seria o ideal... e era. Mas depois de dois meses batendo com a cabeça para entrar e para sair, resolvi aumentar a altura da porta.

    O segundo problema que surgiu foi o da área mínima necessária para que os cães ficassem um pouco mais à vontade, mesmo em dia de chuva. Assim nasceu a tabelinha.

    Para cães de grande porte (dogue alemão) um quarto de 2 m x 2 m ou seja 4 m2
    Um dogue alemão deitado ocupa uma área que mede 1,50 m x 1,50 m e terá uma folga de 50 cm para poder se mexer e se revirar na sua cama.
    Para cães de médio porte (bóxer) um quarto de 1,5 m x 1,5 m ou seja 2,25 m2
    Um bóxer ocupa 1 m x 1 m e terá uma folga de 50 cm, mais 0,50 cm na largura para a passagem de um humano de um cômodo para o outro.
    Para cães de pequeno porte (poodle toy) quarto de 1 m x 1 m ou seja 1 m2
    Um poodle toy ocupa 0,50 m x 0,50 m e terá 50 cm para poder se mexer e mais 0,50 cm na largura.

    No caso de ser um casal, pode-se colocar um beliche conforme planta baixa e corte, mas a área ocupada necessária seria a mesma. Muitos cães adoram dormir em cima.

    CORTE do Canil.gif (30421 bytes)

    2. Cômodos necessários:

    Área coberta (abrigo), é exatamente a área comentada no item anterior, de acordo com o porte do animal.

    Área de solário,

      para cães de grande porte (dogue alemão) mantendo a mesma largura do solário e para que o cão possa ensaiar uma pequena corrida de dois ou três passos o comprimento deverá ser de seis metros.
      para cães de médio porte (bóxer) deverá ser de três metros.
      para cães de pequeno porte (poodle toy) dois metros.

      Cozinha e dependências deverá ser projetada uma cozinha para que, eventualmente, se possa, nas horas de folga, cozinhar alguma coisa variada para que o cão não perca o gosto pela ração a qual está habituado. O paladar dos cães é semelhante ao nosso. O cão é descendente de carnívoro mas é omnívoro, come de tudo, e gosta de variar o paladar como nós.
      Essa cozinha deverá ser grande o suficiente para ter uma mesa que se possa colocar as cumbucas espalhadas e facilitar a distribuição da alimentação. O ideal é ter um carrinho para transportar todas as cumbucas de uma só vez.

      FACHADA do Canil (16426 bytes)Passeador - uma área cercada, acimentada, áspera, de fácil limpeza onde o cão possa permanecer tomando sol por um tempo relativamente longo: 2 horas. Essa área deve ser, no mínimo de 50 m2 - 10 m x 5 m. para um casal de cães de médio porte.

      3. O sol como o mais importante medicamento profilático para a saúde e prevenção de doenças a posição para melhor incidência de sol a utilização da radiação solar como esterilizador ambiental.

      Sabemos da importância do sol para a saúde dos nossos queridos cães.
      O melhor período é o da manhã, entre as 7 e as 10 hs. O que poucas pessoas sabem é que o canil deverá estar voltado de frente para a direção de onde nasce o sol no inverno de maneira que, nesse horário, o sol possa penetrar até no quarto. O sol tem um poder fantástico de eliminar eventuais bactérias das fezes, além de favorecer a osteogênese (ossificação) pela indução à produção, pelo organismo, das vitaminas A+D3.

      4. Móveis e utensílios

        A cama deverá ser construída com madeira especial dura, que não se estrague facilmente com as constantes mordidas dos cães... A madeira que mais se adequa à confecção da cama para cães é o IPÊ. Tenho camas de ipê com 18 anos de uso... suportando além das roídas dos cães, constantes lavagens com cloro e máquina de lava-jato.


        O sistema hidráulico é semelhante ao de um condomínio, conduzindo água potável a todos os boxes com a tubulação embutida. É aconselhável a instalação de um bebedouro automático muito usado em suinocultura, de forma que o cão terá sempre água fresca.

        De qualquer jeito, automáticos ou não, os bebedouros deverão estar fixados num dos cantos, próximos ao dormitório, sob teto, mas do lado de fora para que, se ele brincar com água, não molhe seu ambiente de dormir e, se ele tentar destruir, o bebedouro estará fixo.

        O sistema sanitário deverá ser o mais prático possível, para facilitar a limpeza e não onerar os custos operacionais.
        Como poderão observar na planta baixa e no corte longitudinal, ao lavar o canil com uma mangueira de pressão, todos os dejetos são "varridos" para fora do canil através de uma fresta, no chão, de 6 cm sob o pré-moldado à frente da calçada e que se estende ao longo de toda a largura do solário. A vala que fica sob a grelha (Planta Baixa) corre ao longo de todos os canis obedecendo uma inclinação de 10% e transporta as fezes e a urina para a fossa séptica.

        5. Proteção térmica contra o frio e o calor. Ventilação.

          As paredes deverão ser confeccionadas com tijolos de barro, chapiscadas e revestidas com uma massa de cimento-e-areia ou azulejos, para evitar que os cães, ao arranharem as paredes, façam buracos. Os tijolos mantêm um colchão de ar entre as suas superfícies, conservando a temperatura ideal. O teto deve ser de laje com um telhado confeccionado com o madeirame e as telhas amarradas, formando também um colchão de ar entre a telha e a laje, impedindo, dessa forma que tanto o calor do sol quanto o frio da chuva atinjam o ambiente no qual o cão está acomodado.

          6. Praticidade para um canil mais silencioso

            Um canil jamais deverá ser separado do outro por grade ou tela. Tecnicamente é uma incoerência permitir que dois cães separados por uma parede se vejam e impliquem um com o outro. Além de latirem um para o outro em tempo integral, impedindo que descansem, façam suas digestões e se recuperem emocionalmente, quando soltos, fatalmente irão brigar.

            No nosso canil temos silêncio total na maior parte do dia e da noite com mais de 70 cães hospedados. Só latem quando é servido o almoço e o jantar.

            7. Manejo (limpeza - produtos e freqüência, etc..)

              O serviço de limpeza do canil deve ser feita apenas com água abundante.

              A desinfecção é feita com cloro, retirando todos os animais até que seja abundantemente lavado e o cheiro tenha se desvanecido. A freqüência dessa desinfeção dependerá da população total do canil. Um canil de criação com somente um casal de cães poderá proceder essa desinfeção uma vez por mês. Com mais de vinte exemplares aconselhamos a desinfeção semanal.

              Carrapatos e pulgas O controle de parasitos deverá ser rigoroso. Evite o uso deorganofosforados (defensivos agrícolas em desuso). O mais correto, embora mais caro, é aplicar nos cães produtos que os protejam, temporariamente, das pulgas e carrapatos e eliminá-los, das paredes do canil, com água fervente (máquinas de produzir vapor a 140º).

              8. Conjunto administrativo:

                Escritório de gerenciamento do canil, é importante que você faça um controle histórico dos cães e, principalmente, o controle das despesas. O cachorreiro é muito chegado a uma despesa desnecessária, principalmente com vitaminas e anabolizantes.

                Despensa, prepare um lugar seco e fresco para guardar os sacos de ração, arroz, fubá ou qualquer produto alimentício destinado ao consumo dos cães. Tenha também um freezer para poder fazer um estoque de ossos para os cães roerem.

                9. Sala de banho, tosa e cuidados veterinários Banho_01.jpg (21595 bytes)
                Seu canil deverá ter uma sala para tratar dos cães: escovar todos os dias, dar banhos, eventualmente tosar um animal que necessite. Um lugar onde seu veterinário possa examinar seus cães.

                (Fotos) Nosso canil tem uma sala de Banho & Tosa e um ambulatório para o veterinário responsável poder trabalhar com bastante conforto.

                  10. Maternidade,VET_02.jpg (17289 bytes)

                  Se você vai fazer criação, deverá pensar num ambiente isolado e de fácil limpeza para servir de maternidade. Com maternidade quero dizer um ambiente, isento de influências externas, onde a cadela parirá seus filhotes e cuidará deles até o desmame.
                  A gestante, parturiente ou lactente necessita da sensação de segurança e inviolabilidade do seu ninho.

                  11. Sala de isolamento ou quarentena

                    Com acesso exclusivo pela sala de cuidados veterinários. Quando um dos seus fica doente, você vai necessitar de preservar os outros animais, então precisará de um local seguro para mantê-lo sob observação durante o tratamento.

                    12. Piscina.

                    Bea-piscina_02.jpg (14528 bytes) É um opcional importantíssimo. A maioria dos cães que não convive com a água, nadando, pulando dentro etc. quando atinge a adolescência fica com medo e isso poderá acarretar sua morte por falta de experiência, caso ele caia inadvertidamente numa piscina, por exemplo. Além disso, a natação é um dos exercícios mais completos para qualquer raça, pois exercita todos os músculos.

                    A piscina redonda é a piscina ideal pois você pode fazer um exercício contínuo. Nadando em círculo ora num sentido ora no outro exercita-se um lado do cão de cada vez, além de exercitar a musculatura lateral do abdome.

                    Bruno Tausz
                    Cinófilo e Etólogo - Rio de Janeiro - RJ

                    Curva Etária Comparativa entre o Homem e o Cão

                    Curva Etária Comparativa entre o Homem e o Cão

                    Cris-filhote.jpg (14987 bytes) Ambos, homem e cão, nascem com zero dias. Assim o nosso ponto de partida será o zero mas, antes disso, vamos falar rapidamente sobre a concepção, gestação e parto.

                    A concepção canina acontece entre o décimo e o décimo terceiro dia do cio da cadela, a contar da primeira gota de sangue decorrente do estro, quando não há mais sangramento. No ser humano, a concepção ocorre durante o período fértil que é o intermediário entre as menstruações. A freqüência normal do estro canino é semestral, enquanto que nos humanos é mensal. O período de duração da gestação canina é de nove semanas, o da humana é de nove meses.

                    Ninhada mamando.jpg (16946 bytes)Já, por ocasião do nascimento, começam as diferenças perceptíveis do desenvolvimento entre humanos e caninos.

                    Logo após o nascimento, os caninos, antes mesmo de abrirem os olhos e os ouvidos, conseguem, arrastando-se, encontrar as tetas da mãe, pelo faro. Em cerca de três minutos, já estão se alimentando por conta própria. Tanto as parturientes quanto os bebês humanos, necessitam de ajuda externa para o parto ou para as primeiras mamadas.

                    Filhotes samoieda.jpg (16566 bytes) Aos dez dias os cachorros (filhotes de cão) começam a abrir seus olhos e ouvidos. A esta altura, já estão caminhando, com dificuldade, mas caminhando. Os bebês humanos, ao contrário, abrem seus olhinhos bem antes, porque a visão lhes é, dos sentidos, o mais importante. Para conseguirem caminhar (engatinhar) entretanto, só aos seis meses.

                    Aos vinte e dois dias os dentinhos e as unhas dos filhotes começam a espetar e arranhar as tetas da mãe e, em razão disso, ela começa a evitar que eles mamem. Até esse momento as mães limpam seus cachorros lambendo os excrementos que, pela dedicação, devem ser deliciosos. O desmame, quando não iniciado pelo humano, é feito pela regurgitação dos alimentos, já mastigados e mesclados com a saliva materna, facilitando dessa forma a digestão. Para os humanos isto é porcaria, por isto oferecem aos cachorros a ração desmame que, afinal, é a mesma coisa. Os primeiros dentinhos do bebê humano nascem por volta dos quatro meses.

                    As fêmeas caninas parem uma ninhada de, em média, seis filhotes. Gêmeos humanos são uma raridade. Quando atingem a idade de trinta e cinco dias os caninos já ensaiam as primeiras brincadeiras de luta, que os torna muscularmente aptos a sobreviver (quando na floresta). Entre os humanos, as crianças ensaiam essas brincadeiras de luta no "jardim de infância"... e sofrem o primeiro revés da natureza humana: tem uma Tia que castiga quem "briga". Aí os pais têm que pagar um curso de judô ou caratê, aí fica oficializada a porrada.Cris-Banho.jpg (15304 bytes)

                    Em torno dos quatro meses e meio se inicia a segunda dentição da espécie canina. Caem os dentes decíduos (de leite) e germinam os dentes da dentadura definitiva. Nos humanos, isso acontece por volta dos seis para os sete anos.

                    É a fase da vida mais importante para os caninos. É o período de "imprinting", ou seja, da implantação do código de ética, portanto crucial na formação do caráter. Esse período vai até os seis meses quando termina a segunda dentição e se inicia a adolescência.

                    Nessa fase, o cão que apanha surras para aprender vai sedimentar um sentimento que, dependendo do temperamento (bagagem genética), poderá se submeter totalmente, tornando-se um cão tímido de companhia desagradável ou agressivo e de companhia insuportável. Corresponde, no humano, ao período compreendido entre os oito e os treze anos, quando começa a adolescência.

                    A adolescência canina vai, para os cães de grande porte, dos cinco meses e meio aos quatorze meses e, nos de pequeno porte, até os doze. É o período em que o cão cresce desordenadamente, se torna desajeitado e, no qual, se processam as grandes mudanças de comportamento. A humana vai dos treze aos vinte anos.

                    A juventude canina tem, relativamente, um tempo maior do que a humana. Para os cães de pequeno porte como o poodle, pinscher, beagle etc. vai dos doze aos trinta e seis meses (3 anos). Para os cães de grande porte vai dos quatorze aos vinte e quatro meses (dois anos). Entre os humanos dos vinte aos trinta anos, aproximadamente.

                    Aula_05.jpg (25951 bytes)O período mais longo tanto para os humanos quanto para os caninos é a maturidade que vai desde os três até os oito anos, início da terceira idade. Entre os humanos dos trinta aos sessenta e cinco anos.

                    É a fase da vida, tanto para os cães quanto para os homens na qual, passada a fase do aprendizado lecionado, se adquire e se acumula a experiência. Os cães que tiveram uma adolescência com fartura de amor e carinho e que tiveram pais humanos com paciência suficiente para explicar as regras do nosso comportamento, conseguem ter uma leitura do mundo mais amigável e, certamente, serão menos agressivos e de convivência mais agradável. Essa experiência jamais cessa de ser acumulada, mesmo entre os humanos. Michelangelo, o grande pintor, escultor e arquiteto italiano do Renascimento, disse ao morrer: "É uma pena... ainda tenho tanta coisa que aprender..."

                    Com os cães, a convivência dos idosos com filhotes traz uma renovação vital inacreditável. Eu mesmo tive uma experiência fantástica!

                    Tenho ainda hoje um poodle, o Kiko, que está com treze anos... ele era de minha ex-mulher. Quando nos separamos ele começou a definhar, praticamente desistindo de viver... Já não ligava mais para as brincadeiras de jogar e apanhar a bolinha que ele tanto gostava. Vivia prostrado num canto.Etza c bebê.jpg (14473 bytes)

                    Ainda raciocinando com a filosofia americana de descarte de coisas e pessoas inúteis eu o coloquei no canil.

                    Que incrível surpresa! Em contato com os cães mais jovens, ele voltou a correr, pular e aceitar a brincadeira deles. Hoje, ele não quer mais saber de voltar a conviver comigo dentro de casa. Todos os dias ele sai para passear com a "turma da pesada" e se envolve nas brincadeiras como se jovem fosse.

                    Todas as pessoas que possuem um cão da Rambo VT.jpg (16737 bytes)terceira idade deveriam procurar adquirir um filhote para que, tanto o idoso possa se renovar, quanto a sua experiência possa ser transferida para o filhote. É por isso que uma das imagens mais dignas que temos da nossa cultura oral é a da vovó sentada numa cadeira de balanço contando estórias para seus netinhos...

                    [Eu e Rambo, 13 anos]Vovô e Vovó.jpg (16342 bytes)

                    Muitas vezes pensamos que sabemos o que é melhor para os nossos cães... mas, na realidade, muitas vezes não sabemos nem o que é melhor para nós mesmos.

                    [Minha mãe e meu pai]

                    Bruno Tausz
                    Etólogo

                    Tempo de Vida dos Animais

                    Tempo de Vida dos Animais


                    MAMÍFEROS

                    Animais

                    Anos
                    Asno20 (30)
                    Baleia30 (50)
                    Bisão30 (50)
                    Bovinos17 - 25 (30)
                    Cabra17
                    Cachorro15 - 18
                    Camelo20 (35)
                    Camundongo2 - 3
                    Camurça20 - 30
                    Carneiro16
                    Cavalo25 (40)
                    Chimpanzé20 (27)
                    Cobala7 - 8
                    Coelho7 (9)
                    Delfin25 - 30
                    Doninha6 - 8 (10)
                    Elefante100 - 120
                    Esquilo10 - 14
                    Foca25 - 35 (40)
                    Gato15 - 19
                    Gorila20 (26)
                    Hipopótamo30 (41)
                    Javali15 - 20 (30)
                    Leão20 - 25
                    Lebre7 - 8
                    Lobo16 - 20
                    Lontra6 - 8
                    Macacos10 - 15
                    Morcego15 (21)
                    Mula30
                    Ouriço3 - 5
                    Pangolim30 (42)
                    Porco10 - 12
                    Raposa15 (25)
                    Rato4
                    Rinoceronte30 (47)
                    Texugo10 - 12
                    Tigre17
                    Toupeira1 (3)
                    Urso-branco20 - 25
                    Urso-pardo30 - 40
                    Zebra30


                    Ínicio

                    AVES
                    Anos
                    Águia40 (95)
                    Andorinha8 - 9
                    Arara60
                    Avestruz40
                    Cegonha24 (40)
                    Cisne25 - 50 (170)
                    Condor45 (52)
                    Coruja27
                    Couja-real40 (68)
                    Corvo-imperial50 (69)
                    Falcão40 (55)
                    Gaivota25 (47)
                    Galo e Galinha15 - 20
                    Garça-real50
                    Gralha8 - 9
                    Grou50
                    Pardal15 (20)
                    Pelicano40 (52)
                    Pingüim30 - 35
                    Pomba20 (35)
                    Um cálculo de longevidade média realizado recentemente, revelou o seguinte entre algumas aves:
                    Anos
                    Anserídeos23
                    Ciconiformes21
                    Falconídeos24
                    Galináceos13
                    Larídeos19
                    Passeriformes22
                    Pelicaniformes22


                    Ínicio

                    Répteis
                    Anos
                    Crocodilo80
                    Jibóia23
                    Largato ocelado12
                    Pitão30
                    Tartaruga das Galápagos100 - 200
                    Tartaruga palustre40 (120)
                    Víbora do Cabo6


                    Ínicio

                    Anfíbios
                    Anos
                    Proteus12 - 15
                    8 - 10
                    Rã-touro14 - 15
                    Salamandra15 (30)
                    Salamandra do Japão30 (35)
                    Sapo20 (26)
                    Tritão15 (30)


                    Ínicio

                    Peixes
                    Anos
                    Carpa12
                    Enguia20
                    Linguado40
                    Lúcio40
                    Tubarão25
                    Truta20

                    A maior parte dos peixes pequenos morre antes dos 12 anos.


                    Ínicio

                    INSETOS
                    Anos
                    Abelha Rainha4 - 5
                    Formiga operária6
                    Formiga rainha15
                    Vespa1
                    Meses
                    Abelha macho4 - 5
                    Abelha operária5 - 6
                    Gafanhoto7 - 8
                    Dias
                    Bicho-da-seda15
                    Môsca-das-frutas45 - 80
                    Horas
                    Efêmera20 - 22


                    Ínicio

                    Outros Animais
                    Anos
                    Actínia60 - 70
                    Aranhas1 - 2
                    Concha-gigante60
                    Minhoca5 - 6
                    Ostras15 - 20
                    Ostra perlífera50 (100)
                    Sanguessuga20 (30)
                    Solitária10 - 12

                    Sabedoria canina

                    Sabedoria canina


                    Já se imaginou agindo com a sabedoria canina?
                    A vida teria uma perspectiva mais amistosa.
                    Tente:


                    1. Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio.
                    2. Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer.
                    3. Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-la(o).
                    4. Quando houver necessidade, pratique a obediência.
                    5. Deixe os outros saberem quando invadiram o seu território.
                    6. Sempre que puder tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar.
                    7. Corra, pule e brinque diariamente.
                    8. Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito.
                    9. Seja sempre leal.
                    10. Nunca pretenda ser algo que você não é.
                    11. Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar.
                    12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio,
                    sente-se próximo e, gentilmente, tente agradá-lo.
                    13. Quando chamar a atenção, deixe alguém tocá-lo.
                    14. Evite morder quando apenas um rosnado resolver.
                    15. Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama.
                    16. Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa.
                    17. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
                    18. Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que
                    não tiver e não fique amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos.
                    19. Alegre-se com o simples prazer de uma caminhada.

                    Enviado pelo Dr. Carlos Alexandre Pessoa - CRMV/SP: 8621

                    Autor desconhecido

                    História do Adestramento

                    História do Adestramento

                    Os cães acompanham os homens desde os tempos mais remotos. Há registro, nas cavernas, da associação, para trabalho mútuo, dos nossos ancestrais com os lobos. A utilização de cães, como auxiliares de trabalho, começou com os caçadores ingleses e criadores de cavalos no final do século XVIII quando começaram a utilizar os foxhounds e os beagles nas caçadas imperiais.

                    Por ocasião da 2ª Grande Guerra Mundial (1939-1945) os alemães, que já treinavam cães para caça, tiveram a idéia de aproveitar as habilidades dos pastores alemães como cães de guerra.

                    Inicialmente treinavam os cães a se alimentarem embaixo dos tanques de guerra, depois deixavam-nos com fome, recusando-lhes a alimentação por três a quatro dias e levavam-nos aos campos de batalha com uma bomba atada ao colete. Os cães famintos, ao visualizarem os tanques inimigos, corriam para obter os alimentos sob os tanques, quando eram sacrificados.

                    Com a grande baixa de soldados, a guarda das fronteiras com a França, Holanda, Bélgica e Espanha foi exercida com a ajuda de 33.500 cães adestrados entre pastores alemães e dobermans, quando passaram à função de guarda.

                    Mesmo depois de assinado o armistício, ainda que, com um grande avanço tecnológico dos meios de comunicação, o crescente aumento de veículos e a grande sofisticação do armamento não mais foi possível dispensar a função de guarda dos cães.

                    O desenvolvimento do adestramento no pós-guerra foi atribuído ao crescimento da criminalidade mundial devido ao grande desnível socioeconômico conseqüente do êxodo rural e do grande desenvolvimento industrial e urbano.

                    Surgem, então, as grandes escolas policial-militares, para adestramento de cães de polícia, quando “pegou” o apelido do pastor alemão de “cão policial”.

                    Passada a fase crítica do pós-guerra, nos anos 60, equilibrou-se a economia européia e essa grande quantidade de cães policiais foi perdendo suas funções. Nesse período, os criadores particulares começaram a se interessar em promover competições de obediência, quando surgiu o esporte do adestramento de cães de guarda, bem como, as entidades como a VDH (Verrein für das Deutsche Hundewesen) desenvolveram-se sobremaneira. Começou então a participação, em competições, de outras raças como o dogue alemão, bóxer, schnauzer, leonberger, rottweiler etc.

                    História do Adestramento-página 1

                    Bruno Tausz
                    C
                    onsultor e Colaborador em

                    A Importância da Obediência

                    Nos anos 70 começou, na Alemanha, o movimento de conscientização e preservação do meio ambiente e, com isso, o desenvolvimento da ecologia e da etologia, cujo pai Konrad Lorenz já vinha, desenvolvendo pesquisas do comportamento animal sem a interferência humana. Conseqüentemente, a óptica arraigada do animal selvagem como uma fera inimiga do homem começou a mudar. Com essas idéias, passou-se a estudar o comportamento dos animais como companheiros de vida na terra.

                    Os treinadores alemães começaram a utilizar conhecimentos de etologia no treinamento de cães de guarda conseguindo sensíveis progressos. Esse conhecimento levou os treinadores à preocupação com a autoconfiança dos cães que fossem participar de provas de ataque, tornando o adestramento de cães de guarda um esporte.

                    A Inglaterra levou essas idéias mais além e, com base nos concursos hípicos, Peter Lewis lançou, em 1978, através do seu livro “The Agility Dog International”, uma nova modalidade de adestramento: o Agility, no qual, sequer se utilizavam coleiras e guias. O cão teria que realizar um percurso sozinho, sem o menor auxílio do ser humano, como o fazem os cães de circo.

                    Aqui no Brasil, devido à cultura latina/machista, essa mudança foi lenta, relutante e persistente. Entre os treinadores o conceito de cão de guarda era visto como cão de ataque mais do que como cão de defesa.

                    Foi esta a razão da publicação do livro “Adestramento Sem Castigo” (1986), que trata o relacionamento com os cães, sob o prisma das dificuldades dos cães em compreender e aceitar os comandos humanos. Foi abolido o comando militar e introduzido o diálogo com o aprendizado da linguagem canina.

                    Esse conceito foi associado à contra-indicação de se treinar um cão para ataque e à aplicação do conceito de defesa pessoal, semelhante ao das artes marciais, como um esporte.

                    A idéia de ensinar um cão a morder me soava como um absurdo tão grande quanto ao de ensinar um pássaro a voar.

                    Como, instintivamente, todos os cães sabem brigar, passei a divulgar o conceito de ensinar aos cães como se defender dos truques humanos de briga. Um cão não sabe dar uma gravata, rasteira, soco, chute, paulada, facada, tiro etc. ele só sabe morder.

                    Com o conceito de cão de guarda como um esporte, os cães aprendem a defender-se sem serem, em princípio, agressivos. Os cães, antes atiçados para morder por ojeriza a estranhos, tornavam-se neuróticos e assustados, com medo das pessoas e por isso mordiam com uma freqüência assustadora. O cão que aprendeu como lutar, apenas, contra os golpes humanos teve autoconfiança e tranqüilidade suficiente para discernir uma ameaça verdadeira de uma falsa.

                    Daí para frente foi mais fácil a erradicação do conceito da necessidade de produzir um cão feroz como a única maneira de treinar um cão para guarda.

                    Em todo o mundo desenvolveu-se uma outra modalidade de adestramento: o treinamento de cães auxiliares para deficientes físicos com muito sucesso.

                    Nós participamos desse processo como pioneiros no Brasil do treinamento de cães-guia no final dos anos 80. Na foto aparece a cantora Kátia com seu schnauzer gigante.







                    Raças de Porte Grande e Pequeno no Brasil

                    Como as pessoas não estão habituadas a mandar seu cão para a Escola, apesar de considerá-lo como “seu filho”, o conceito de adestramento ficou muito ligado ao treinamento de cão de guarda.

                    É de opinião da maioria que, adestrar significa fazer o cão “ficar brabo”.
                    Apenas há bem pouco tempo os proprietários de raças como cocker spaniel, poodle, pug, beagle, yorkshire, westie, fox terrier, schnauzer miniatura e pinscher começaram a trazer seus cães para a escola.

                    No entanto, a grande maioria das pessoas tem problemas com seus bichos de estimação.

                    Quando traz, em último caso, seus cães para treinamento educacional as reclamações são as mesmas: meu cão rói todos os meus móveis, faz xixi pela casa inteira, late a noite toda e não deixa ninguém dormir, puxa na guia quando vou passear com ele, morde o calcanhar da empregada, faz buraco no jardim, puxa a roupa na corda, come todos os meus sapatos, não deixa ninguém chegar perto quando está comendo, sobe no sofá e em cima das pessoas, pula em cima de mim, não atende quando eu chamo... o que eu faço?

                    Como os cães são pequenos, a grande maioria dos donos tenta contornar esses problemas, mesmo a custa de alguns cabelos brancos.

                    Os cães de grande porte, entretanto, por assustarem seus donos na primeira rosnada fazem com que os tragam imediatamente para a escola.

                    Por causa da preocupação com a preservação da integridade física e mental dos animais, começou um movimento de socialização dos cães para melhorar a convivência deles conosco, já que são, sabidamente, auxiliares terapeutas das neuroses do nosso mundo atual (Dra. Nise da Silveira, psiquiatra, psicoterapeuta no setor de T.O. do Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro, da qual fui colaborador).
                    Nessa época, os treinadores não se interessavam em cães de pequeno e médio porte por considerá-los “cachorrinhos de madama” e, treiná-los, ficava feio para sua figura de valente domador de feras incontroláveis.

                    Esses pequenos cães têm os mesmos problemas dos grandes, com a diferença que não representam uma ameaça de vida. Em casa, eram tratados como “filhos” e, até hoje, existem pais que batem nos filhos para ensinar-lhes boas maneiras. Porque não bater nos cães?

                    Por volta de 1990 decidi estender os cursos aos cães de pequeno e médio porte para proporcionar-lhes a oportunidade de aprenderem como é que o ser humano gosta de conviver com eles. Nessa mesma oportunidade introduzi, também, a idéia de orientar o proprietário para que ele começasse a perceber a nova óptica do comportamento e dos sentimentos dos seus próprios cães. Com isto, consegui divulgar o método de Adestramento Sem Castigo que dá um resultado, realmente, inacreditável. Tão inacreditável que meus colegas treinadores, por não acreditarem, diziam que eu espancava os cães para conseguir essa fantástica obediência num tempo 80% mais curto que o método antigo.

                    Socialização


                    Paralelamente a esta nova filosofia de adestramento, introduzi a necessidade dos cães serem socialmente educados, principalmente, pelos problemas que meus clientes enfrentavam em condomínios e isso incluía, tanto os cães considerados de guarda de médio e grande porte, quanto os de pequeno porte que incomodavam os vizinhos com seus latidos histéricos, fugas freqüentes e os buracos nos jardins.

                    Em Zurich, Suíça, encontrei cães entrando, tranqüilamente, com seus donos em lojas de departamentos, lancherias, restaurantes e até cinemas.

                    Aqui, estamos, ainda hoje, tendo dificuldades em aprovar uma lei para que os proprietários de cães-guia de cegos possam entrar em coletivos, lojas e restaurantes, exclusivamente por falta de educação da nossa população canina.

                    Ainda transferimos aos nossos cães as nossas neuroses e as nossas frustrações. Outro dia foi divulgado pela internet, e até pelo Fantástico, fotos de cães com seus donos, cara de um focinho do outro. Não é por acaso! Tanto os donos procuram cães-deuses feitos à sua imagem e semelhança, quanto os cães procuram proporcionar aos seus “amos” todos os seus anseios. Os cães se esforçam por imitar seus “pais” da mesma forma como as crianças. O grande problema é que nós só sabemos explicar-lhes o que não gostamos e eles aprendem rapidamente tudo o que nos incomoda.

                    Quando ficamos intimamente orgulhosos porque nosso cão adolescente tenta nos defender de um estranho, não conseguimos perceber que estamos incentivando a agressão contra pessoas, só pelo fato de serem estranhas.


                    Ensinando a sentar

                    Ensinando a sentar

                    Coloca-se a mão esquerda sob o queixo do cão e levanta-se-o como se o fizesse olhar para cima, para nós.

                    Para olhar para cima, a posição mais confortável para o cão é sentada e o cão senta-se quase que instintivamente. Assim que ele assumir a posição "sentado" deverá ser sobejamente premiado.

                    Aos poucos diminuiremos essa ajuda, na medida em que formos percebendo que ele começa a sentar-se para receber o elogio.

                    Bem rapidamente, e até por interesse, o cão verá essa relação como uma brincadeira e ficará olhando para você como se estivesse esperando o próximo passo.

                    E a brincadeira é dar cinco ou seis passos e parar, olhando para o cão e esperando que ele se sente.

                    Se você mentalizar...: como é, não vai sentar? O que você está esperando para sentar? Senta vamos!

                    Ficará surpreso com a resposta.

                    Os cães têm uma percepção extra-sensorial tão intensa que fica um pouco difícil de acreditar e, aqueles que acreditam, não o revelam por não quererem se passar por loucos.

                    Entretanto, quando você pensa em sair com seu cão, quase que como por encanto, ele chega antes no lugar onde você guarda a coleira.

                    Seu cão fará sempre exatamente o que você espera dele. Se você achar que ele não vai fazer... ele não o fará. Dessa forma nós induzimos, mentalmente, o cão ao erro por estarmos sempre pensando negativamente: ... eu acho que ele não vai conseguir....

                    Espantosamente, se começarmos a confiar mais em nosso cão ele corresponderá imediatamente.

                    Bruno Tausz
                    Cinófilo e Etólogo - Rio de Janeiro - RJ

                    Ensinando a Andar Junto

                    Ensinando a Andar Junto

                    Como já vimos, não se pode obrigar um cão, ou qualquer outro animal, a fazer o que ele não quer.

                    Então nosso objetivo será fazer o cão querer "Andar Junto".

                    Podemos escolher como prêmio ou pagamento pelo serviço de andar junto:

                    1 - A isca = como isca podemos usar qualquer coisa que o seu cão mais adora: pedacinhos de salaminho, mortadela, biscoito para cães etc. Eu, particularmente, gosto de usar a isca de fígado cosido e semidesidratado.

                    2 - O brinquedo = escolhe-se sempre o objeto que o cão mais gosta: uma bolinha de tênis, de borracha, um bonequinho preferido ou até uma lingüiça de pano (de uns 30 cm) dessas usadas para treinar ataque.

                    3 - O Encanto pessoal = Aí, só podemos usar nós mesmos. Para usar o "encanto pessoal" temos que ser, para o cão, encantadores. Os cachorros (filhotes de cão) estabelecem uma relação através do "imprinting" e, como você deve saber, nossa voz tem um poder mágico de encantamento, exatamente, por não ser o meio que o cão utiliza para se comunicar.

                    Ele aprende rapidamente e com uma enorme facilidade, por ser, nossa voz, arauto do nosso estado de espírito. É através da nossa voz que o cão sabe se estamos alegres, zangados, se vamos passear com ele ou sem, se ele vai ganhar um presente ou uma bronca etc.

                    Conversar com um cão é o meu prêmio predileto. Os outros, utilizo como recurso, quando não consigo a atenção do cão.

                    A Atenção do Cão

                    Um aluno atento aprende, um desatento jamais...

                    Todo o nosso trabalho inicial, durante e até o fim do adestramento, será o de conseguir a atenção do cão o tempo todo.

                    Com a atenção do cão conseguiremos explicar-lhe tanto o que nós queremos quanto o que não queremos.

                    Se ele andar junto, ganha nosso carinho e nossa atenção e um enorme elogio. Se não... nada!

                    Cada vez que ele andar junto ganhará carinho e um papo gostoso. Se ele andar junto o tempo todo teremos que conversar com ele e fazer carinho o tempo todo.

                    Aos poucos substituiremos o papo pela comunicação mental

                    A importância do momento exato para premiar

                    O objetivo de uma premiação é conseguir que o cão consiga fazer a associação do que ele ganha com o seu ato.

                    O momento de premiar o cão é crucial.

                    O humano pode oferecer um presente no dia seguinte do aniversário e, ainda assim, dizer que esse presente refere-se àquela data.

                    Para que um cão associe o prêmio a seu ato é necessário que ele o receba imediatamente depois de concluída a ação, preferencialmente, durante o momento final.

                    Para que o cão entenda o que é "Andar Junto" é preciso ensinar, ao mesmo tempo, o comando "senta", transformando o conjunto "Andar Junto / Sentar" num só exercício.

                    Bruno Tausz
                    Cinófilo e Etólogo - Rio de Janeiro - RJ

                    Meu cão é muito ciumento! ... Como administrar o ciúme canino?

                    Meu cão é muito ciumento! ...
                    Como administrar o ciúme canino?


                    Um cão de guarda, tem fortes sentimentos de ciúmes. O ciúme é a maior qualidade que um cão de guarda pode ter. O que não for ciumento não guardará nada.

                    Entre humanos, ciúme em relação à pessoa amada é considerado impertinente, mas locupleta a vaidade da vítima.

                    Numa matilha de lobos, machos e fêmeas convivem na maior harmonia, a exceção é real quando há uma disputa de liderança, momento em que, tanto o líder quanto o desafiante, têm oportunidade de reconhecer a superioridade do adversário e se render. Se nenhum dos dois desistir da luta, esta só terminará com a morte.

                    A exceção da luta pela liderança, não brigam, porque são livres para retirar-se diante dum confronto indesejável.

                    Os cães, descendentes do lobo, vivem confinados.

                    As baias, dos canis de criação, devem ser individuais, caso contrário, nenhum dos confinados terá a chance de retirar-se diante de um confronto. Deve ser evitada a divisão entre dois canis com grades pois estariam sempre se provocando. Quando se soltarem a briga estará garantida. O correto é parede cega.

                    Quando forem soltos, naturalmente pelo proprietário, um será, forçosamente, solto antes do outro, estabelecendo uma preferência.

                    Toda a primeira briga entre cães, sempre acontece em presença do proprietário que, certamente, irá apartar, mantendo a disputa pela liderança não resolvida e, com isso, a indeterminação da prevalência dos direitos de um sobre o outro.

                    Como ninguém deseja arriscar um final desastroso, e com razão, a solução será jamais agradar dois cães soltos. Se você quiser agradar, deverá manter sempre o outro preso. Para agradar o outro, prenda o que estiver solto, para depois soltar o outro. O mesmo vale para as fêmeas.

                    Um macho jamais brigará com uma fêmea.

                    A única espécie animal, na qual o macho briga com a fêmea, é a humana.Exceção feita às espécies em cujo rito nupcial inclui a morte, sempre do macho.

                    Gostar de cães é jamais provocar o seus sentimentos de ciúmes.

                    Bruno Tausz
                    Cinófilo e Etólogo - Rio de Janeiro - RJ

                    Dificuldades do treinador iniciante

                    Dificuldades do treinador iniciante

                    Tenho ministrado um grande número de cursos de adestramento, agility e apresentação em exposições e pude perceber a imensa dificuldade que os alunos têm, mesmo tendo lido o livro "Adestramento Sem Castigo".

                    O abismo entre a teoria e a prática é maior do que eu mesmo pensava. Quem já treina há algum tempo, perde a noção das atitudes mais simples, tomadas durante o treinamento, que passam a ser quase automáticas. São atitudes tão óbvias que a gente esquece de explicar.

                    O neófito não consegue ter um distanciamento do trabalho, suficiente para perceber seus próprios erros.

                    É aí que o curso se torna importante, através dos diversos recursos didáticos, como a gravação das aulas em VT para discussão posterior ou mesmo pelo “toque” durante as aulas, podemos, com uma certa facilidade, mostrar onde o aluno está errando.

                    Se você entrasse para um curso de chinês, as primeiras aulas seriam terríveis. Você acharia que jamais iria aprender aquilo. Que é muito, muito difícil... Pois bem, os cães também.

                    A grande fantasia humana é a obediência. A gente acha que colocando nosso "filhinho" num curso de adestramento, iremos buscá-lo treinadinho e obediente ... e que, depois, seria só proferirmos as palavras mágicas e que, automaticamente, nosso cão sairia fazendo todos os comandos. Imaginamos que o treinador deveria resolver todas as nossas dificuldades. Não é bem assim.

                    Um cão não tem a menor competência para se submeter à obediência, simplesmente porque, não tem capacidade para compreender a dimensão do tempo. Por isso, jamais conseguirá executar uma tarefa, com medo de que, no futuro, haverá uma represália caso ele não o faça. Se explicar o amanhã, o ontem, os quinze ou trinta minutos a uma criança de dois anos é muitíssimo difícil... imagine para um cão.

                    Um cachorro, como uma criança, não sente o desejo de ser adestrado. Não sabe porque você o está forçando a fazer alguma coisa que não faz parte da lista das suas vontades.

                    Por exemplo, você quer ensinar o cão a segurar uma bolinha na boca. Na primeira vez que você coloca a bolinha na sua boca, ele fica com a sensação que terá que engoli-la, como as pílulas que o dono deu a ele. O mais importante, então, é explicar como o exercício termina e não, o que o cão tem que fazer. Depois que você colocou e removeu o objeto da sua boca, pela terceira vez, ele começa a se acalmar e aceitar a tarefa.

                    Concluímos dessa maneira, que, quanto mais curto for o tempo que você levar para explicar ao seu cão o exercício completo, mais rapidamente ele irá aprender. Depois, é só aumentar os tempos e as distâncias.

                    Modernamente, o objetivo de um bom treinador é o de fazer com que o cão desenvolva o desejo de fazer aquilo que nós queremos que ele faça. Nunca a inquestionável obediência.

                    Para conseguirmos que o cachorro sinta o desejo de repetir o que acabamos de ensinar, podemos utilizar um cem número de truques como prêmios: uma bolinha para brincar, um pedacinho de salame ou salaminho como isca, um bichinho que faz barulho de miado de gato, um click, enfim, qualquer coisa. Eu prefiro usar eu mesmo. Acho que, com o meu carinho, o cão, além de sentir prazer, se liga muito na minha pessoa e faz tudo para me agradar.

                    O primeiro passo, então, é seduzir e encantar o nosso aluno. Para isso, no primeiro encontro, não há espécie alguma de treinamento, apenas, conhecimento. Escovo o cão, acaricio o seu queixo e, principalmente, brinco muito com ele. O treinamento só começa, mesmo, quando percebo que ele sente um enorme prazer em passear comigo.

                    Por incrível que possa parecer, o exercício mais difícil de se treinar é o andar junto. A maioria das pessoas que começa um curso de adestramento tem uma imensa dificuldade em ensinar isso. No entanto é muito fácil. Basta que o cão queira andar junto.

                    No lugar de ensinar, apenas permito que o cão aprenda. Mostro o caminho através dos estímulos acima referidos, ficando bem atento aos seus sucessos e premiando com um daqueles truques TODAS AS VEZES que ele acerta. Um cão não erra, pelo simples motivo que o conceito de erro é humano. Se ele fizer algo que você considera errado, o erro foi seu que não soube explicar direito. Nunca do cão.

                    Os cães raciocinam exatamente como um computador, de forma binária: ou é ou não é; sim / não; pode / não pode; zero / um... Se você compreender isso, treinar cães é muito fácil!

                    Outra dificuldade, que o iniciante enfrenta, é acreditar na capacidade que o cão tem de perceber as nossas intenções. Os cães têm uma percepção extra-sensorial, que os norte-americanos chamam de ESP (Extra-Sensorial Perception), e que lhes proporciona a capacidade de perceber o que estamos pretendendo, embora não consigam entender o significado das palavras.

                    Os cães conhecem seus donos, pelo menos, duzentas vezes mais do que os donos conhecem seus próprios cães. Eles passam o dia inteiro nos observando, mesmo enquanto estão dormindo ou comendo. Quando você se levanta da poltrona com intenção de sair com seu cão, muito antes de terminar de se levantar, ele já está lhe esperando no lugar onde você guarda suas guias e coleiras ou junto à porta. O dono interpreta essa cena como sendo coincidência ou sequer se detém para interpretá-la.

                    É muito comum a idéia de que, castigando o erro, consegue-se fazer com que os cães evitem comete-los. Ledo engano!

                    Nós, humanos, temos uma didática que os cães não conseguem alcançar:

                    1. aguardamos, pacientemente, que o cão erre, para pegá-lo em flagrante delito;

                    2. na primeira vez que ele erra, a gente zanga “ai, ai, ai não faça mais isso!”;

                    3. na reincidência, a gente zanga com mais veemência “Paaaraaa!!!”;

                    4. no terceiro delito, leva um tapinha, como advertência e assim por diante.

                    5. até perdermos a paciência e partirmos para a violência.

                    Ora, quando os cachorros brincam é zangando uns com os outros. É a brincadeira de luta! Aliás, todos os animais brincam de luta.

                    Quando o dono ralha com um cão, sem estar realmente zangado, o cão entende como um convite à brincadeira e repetirá o motivo da zanga, porque foi divertido ver o dono zangado. Nós temos esse mesmo comportamento ao passarmos um trote ao telefone.

                    É dessa forma que os donos, sem atinar, ensinam a seus cães tudo o que eles NÃO querem que façam.

                    Querem ver? O dono de um cão está em casa, trabalhando, ocupadíssimo e não tem tempo de dar atenção ao seu cão. O Dick, que gosta muito dele, vai e deita ao seu lado. Claro que ele não terá a atenção do pai.

                    Aí, como o cachorro gosta muito do seu dono, permanece ali, deitado por vinte minutos, meia hora. Como ele está quietinho, é bom não mexer em time que está ganhando. O cão não terá sua atenção.

                    Decorridos quarenta minutos, o cão, vendo que não está conseguindo a atenção almejada, procura o que fazer. Levanta-se, olha para um lado, olha para o outro, olha para o dono mais uma vez... e nada! Aí, ele vê um par de chinelos embaixo da cama...

                    Assim que ele pega o chinelo, o dono, que estava ocupadíssimo, larga tudo e sai correndo atrás do Dick para não dar tempo de estragar.

                    O que ele ensinou? Se quiser brincar com papai é só pegar o chinelo.

                    Como ele não chegou a estragar... - Ai, ai, ai, Dick! Não faça mais isso! Ouviu?

                    Pronto! É tudo o que faltava para o cão ter vontade de repetir a dose na primeira chance.

                    Concluímos dessa maneira, que zangar com o cão para ensinar, além de não intimidá-lo, provoca nele o desejo de repetir o motivo da zanga.

                    É claro que quando zangamos “de verdade”, isto é, quando estamos realmente zangados o cão perceberá com a maior nitidez e se recolherá à sua insignificância. Mas, aí estamos ensinando que o cão só deverá obedecer quando estivermos realmente irritados. Que vida hein?

                    Bruno Tausz
                    Escritor, Etólogo e Comportamentalista
                    Árbitro de Todas as Raças da CBKC - FCI
                    Árbitro de Adestramento e Trabalho da CBKC - FCI